jueves, 21 de noviembre de 2013

"Teatro não é só comédia"



Teatro não é só comédia

Cristiane Grando – Escritora e tradutora. Doutora em Letras (USP), com pós-doutorado em Tradução Literária (Unicamp). É Diretora do Teatro Municipal de Cerquilho.

Rir é uma experiência libertadora. Segundo a dramaturga e professora Cleise Furtado Mendes: “Para o corpo, o choque libertador que exercita e relaxa uma parte dos músculos tem sido visto como poderoso auxílio contra várias doenças, e o conceito dos hospitais-circo e dos palhaços-médicos surgiu há vários anos como resultado de pesquisas...” (In: “A[l]berto: Revista da SP Escola de Teatro”, no 1. São Paulo: Primavera de 2011, p.87). Chorar, em muitas ocasiões da vida, também é uma vivência necessária. Assistir a uma peça de teatro é um meio para expurgar nossas dores e para reviver alegrias através de situações no palco semelhantes às que vivemos no cotidiano.
Ir ao teatro é um direito de todo cidadão. Em espaços públicos, os gestores culturais deveriam priorizar uma agenda com muitas opções de atividades gratuitas ou com preços populares. Segundo a “Enciclopedia del estudiante Larousse” (Santiago de Chile, 2002, p.83): “Durante muito tempo, o teatro foi considerado um entretenimento para a elite. Mas alguns homens de teatro desejaram que todos participassem. Na década de 1930, o poeta francês Jacques Prévert montou uma companhia que atuava para os operários nos pátios das fábricas. Em 1951, Jean Vilar, fundador do Festival de Aviñon, na França, começou a dirigir o Teatro Nacional Popular (o TNP) em Paris. Era um teatro público, subsidiado pelo Estado, cujas entradas eram mais baratas que as de salas privadas. Queria fomentar o gosto pelo teatro em maior quantidade de gente. E de fato foi um sucesso: mais de cinco milhões de expectadores foram ao TNP entre 1951 e 1963.” (tradução livre)
Um dos espetáculos que me fez rir muito foi uma farsa medieval: “O pastelão e a torta”, apresentado pelo grupo Folgazões: Companhia de Artes Cênicas, de Vitória (ES). O texto, de autor anônimo, atravessou séculos e ainda hoje apresenta humor e graça. Provoca o riso a partir de situações corriqueiras do cotidiano sem cair na banalidade.
Rir ou chorar: bons motivos para você frequentar um teatro.

P.S.: Em Cerquilho, com sede numa sala da Rodoviária, funciona a ONG Hospitalhaços, com voluntários que levam a alegria e o riso à Santa Casa e centros de saúde.


GRANDO, Cristiane. “Teatro não é só comédia”. Fique em Evidência. Ed. 39, Ano 2. Cerquilho, outubro de 2013, p.28.

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