Teatro não é só comédia
Cristiane
Grando – Escritora e tradutora. Doutora em Letras (USP), com
pós-doutorado em Tradução Literária (Unicamp). É Diretora do
Teatro Municipal de Cerquilho.
Rir
é uma experiência libertadora. Segundo a dramaturga e professora
Cleise Furtado Mendes: “Para o corpo, o choque libertador que
exercita e relaxa uma parte dos músculos tem sido visto como
poderoso auxílio contra várias doenças, e o conceito dos
hospitais-circo e dos palhaços-médicos surgiu há vários anos como
resultado de pesquisas...” (In: “A[l]berto: Revista da SP Escola
de Teatro”, no
1. São Paulo: Primavera de 2011, p.87). Chorar, em muitas ocasiões
da vida, também é uma vivência necessária. Assistir a uma peça
de teatro é um meio para expurgar nossas dores e para reviver
alegrias através de situações no palco semelhantes às que vivemos
no cotidiano.
Ir
ao teatro é um direito de todo cidadão. Em espaços públicos, os
gestores culturais deveriam priorizar uma agenda com muitas opções
de atividades gratuitas ou com preços populares. Segundo a
“Enciclopedia del estudiante Larousse” (Santiago de Chile, 2002,
p.83): “Durante muito tempo, o teatro foi considerado um
entretenimento para a elite. Mas alguns homens de teatro desejaram
que todos participassem.
Na década de 1930, o poeta francês
Jacques Prévert montou uma companhia que atuava para os operários
nos pátios das fábricas. Em 1951, Jean Vilar, fundador do Festival
de Aviñon, na França, começou a dirigir o Teatro Nacional Popular
(o TNP) em Paris. Era um teatro público, subsidiado pelo Estado,
cujas entradas eram mais baratas que as de salas privadas. Queria
fomentar o gosto pelo teatro em maior quantidade de gente. E de fato
foi um sucesso: mais de cinco milhões de expectadores foram ao TNP
entre 1951 e 1963.” (tradução livre)
Um
dos espetáculos que me fez rir muito foi uma farsa medieval: “O
pastelão e a torta”, apresentado pelo grupo Folgazões: Companhia
de Artes Cênicas, de Vitória (ES). O texto, de autor anônimo,
atravessou séculos e ainda hoje apresenta humor e graça. Provoca o
riso a partir de situações corriqueiras do cotidiano sem cair na
banalidade.
Rir
ou chorar: bons motivos para você frequentar um teatro.
P.S.:
Em
Cerquilho, com sede numa sala da Rodoviária, funciona a ONG
Hospitalhaços, com voluntários que levam a alegria e o riso à
Santa Casa e centros de saúde.
GRANDO, Cristiane. “Teatro não é só comédia”. Fique em Evidência. Ed. 39, Ano 2. Cerquilho, outubro de 2013, p.28.

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