A
doença do diploma
Paula
Silva e Cristiane Grando *
Se
o diploma do ensino superior na geração anterior à nossa marcava
o fim dos estudos, hoje representa apenas o início de uma longa
jornada. Os cursos de pós-graduação, em diversos níveis, têm se
apresentado como o caminho natural de todos os que concluem
a graduação e, paralelamente, as certificações e os cursos de
idiomas vem sendo cada vez mais valorizados e exigidos nas empresas.
Em The Diploma Disease (A Doença
do Diploma), de 1976, o sociólogo britânico Ronald Dore mostrou sua
desconfiança sobre o aumento acelerado de exigências de formação
e questionou: Mais diplomas significam pessoas mais bem formadas e
melhores profissionais? Para ele, estas exigências fazem parte de um
processo de burocratização das empresas e alta concorrência pelas
vagas de emprego, o que não permitem que se conheçam as habilidades
dos candidatos, sendo o diploma uma forma simples e impessoal de
selecioná-los. Desse modo, haveria um período maior de
escolarização por razões que não têm nem a ver com a aquisição
de conhecimento real para o exercício de determinada profissão,
nem com o desenvolvimento pessoal e satisfação própria
daquele que se forma, uma vez que grande parte da formação está
vinculada à aquisição burocrática das qualificações
necessárias para conseguir emprego.
Hoje
somos pressionados a atingir níveis mais altos de escolarização
para realizar atividades profissionais que antes não exigiam mais do
que o ensino médio. Por isso, vale a pena pensar: Será que a minha
formação prioriza apenas objetivos financeiros ou também
busca apreender novas formas de ver o mundo, favorecendo o
autoconhecimento, algo que é tão importante para que o ser humano
possa se sentir realizado em seu trabalho e em sua vida cotidiana?
*
Paula Silva é Coordenadora de Cultura de Cerquilho
Cristiane
Grando é Diretora do Teatro Municipal de Cerquilho
SILVA,
Paula; GRANDO, Cristiane. “A
doença do diploma”. Fique
em Evidência.
Ed. 36, Ano 2.
Cerquilho, julho de 2013, p.28.

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