jueves, 21 de noviembre de 2013

"A doença do diploma"




A doença do diploma
Paula Silva e Cristiane Grando *


Se o diploma do ensino superior na geração anterior à nossa marcava o fim dos estudos, hoje representa apenas o início de uma longa jornada. Os cursos de pós-graduação, em diversos níveis, têm se apresentado como o caminho natural de todos os que concluem a graduação e, paralelamente, as certificações e os cursos de idiomas vem sendo cada vez mais valorizados e exigidos nas empresas.
Em The Diploma Disease (A Doença do Diploma), de 1976, o sociólogo britânico Ronald Dore mostrou sua desconfiança sobre o aumento acelerado de exigências de formação e questionou: Mais diplomas significam pessoas mais bem formadas e melhores profissionais? Para ele, estas exigências fazem parte de um processo de burocratização das empresas e alta concorrência pelas vagas de emprego, o que não permitem que se conheçam as habilidades dos candidatos, sendo o diploma uma forma simples e impessoal de selecioná-los. Desse modo, haveria um período maior de escolarização por razões que não têm nem a ver com a aquisição de conhecimento real para o exercício de determinada profissão, nem com o desenvolvimento pessoal e satisfação própria daquele que se forma, uma vez que grande parte da formação está vinculada à aquisição burocrática das qualificações necessárias para conseguir emprego.
Hoje somos pressionados a atingir níveis mais altos de escolarização para realizar atividades profissionais que antes não exigiam mais do que o ensino médio. Por isso, vale a pena pensar: Será que a minha formação prioriza apenas objetivos financeiros ou também busca apreender novas formas de ver o mundo, favorecendo o autoconhecimento, algo que é tão importante para que o ser humano possa se sentir realizado em seu trabalho e em sua vida cotidiana?
* Paula Silva é Coordenadora de Cultura de Cerquilho
Cristiane Grando é Diretora do Teatro Municipal de Cerquilho

SILVA, Paula; GRANDO, Cristiane. “A doença do diploma”. Fique em Evidência. Ed. 36, Ano 2. Cerquilho, julho de 2013, p.28.


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