lunes, 9 de febrero de 2015

UNILA: uma Universidade Federal em Foz do Iguaçu


UNILA: uma Universidade Federal em Foz do Iguaçu
Cristiane Grando

Escritora, tradutora, gestora cultural, doutora em Letras (USP) e professora na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)

Uma universidade sem fronteiras para a América Latina - esse é o lema da UNILA, universidade federal - brasileira - pública e gratuita, fundada em 2010

Um projeto único no Brasil: ser uma universidade bilíngue. O português e o espanhol são línguas que convivem diariamente na fala e ​na ​escrita de estudantes, professores e funcionários da UNILA, Universidade Federal da Integração Latino-Americana, que funciona hoje em cinco espaços ​em Foz do Iguaçu: UNILA PTI (Parque Tecnológico Itaipu); UNILA Centro; UNILA Jardim Universitário; UNILA Edifício Almada; além da sede administrativa, a UNILA VILA A. N​o​ futuro, todas as atividades educativas, culturais e administrativas serão desenvolvidas num único campus, em nove prédios assinados pelo arquiteto Oscar Niemeyer que estão sendo construídos em terreno doado pela Itaipu Binacional. ​Pensar a América Latina e formar profissionais que conheçam a realidade dos diversos países que a compõem, para que sejam estimulados a propor soluções aos mais diversos problemas atuais levando-se em conta a interdisciplinaridade​ e a multiculturalidade: uma das características​ da UNILA​ é a proposta de ter 50% de estudantes e professores brasileiros e 50% ​provenientes​ dos demais países latino-americanos​ e do Caribe​. Os​ estudantes​ brasileiros podem ​se inscrever para ​estudar ​na UNILA​ através ​da​s nota​s​ do ENEM, com inscriç​ões ​ via SISU. Os estrangeiros devem buscar informações na UNILA, pois cada país apresenta acordos distintos. 

Construída num tripé que valoriza o ensino, a pesquisa e a extensão, a UNILA oferece cursos de graduação e pós-graduação. São estes os cursos de graduação consolidados: Antropologia - Diversidade Cultural Latino-Americana; Arquitetura e Urbanismo; Ciência Política e Sociologia - Sociedade, Estado e Política na América Latina; Ciências Biológicas - Ecologia e Biodiversidade; Ciências da Natureza - Biologia, Física e Química; Ciências Econômicas - Economia, Integração e Desenvolvimento; Cinema e Audiovisual; Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar; Engenharia Civil de Infraestrutura; Engenharia de Energia Renováveis; Geografia - Território e Sociedade na América Latina; História - América Latina; Letras - Artes e Mediação Cultural; Medicina; Música; Relações Internacionais e Integração; Saúde Coletiva. Estes são os novos cursos que iniciam em 2015 -Bacharelados: Administração Pública e Políticas Públicas; Arqueologia; Artes Cênicas; Biotecnologia; Ciência da Computação; Design; Engenharia de Materiais; Engenharia Física; Engenharia Química; Farmácia; Jornalismo; Serviço Social; -Licenciaturas: Artes Visuais; Ciências Biológicas; Educação do Campo; Educação Intercultural Indígena; Filosofia; Geografia; História; Química; Letras - Português / Espanhol; Matemática; Música; Pedagogia.

Os links e contatos para mais informações são: 


Aline Oliveira entrevista Cristiane Grando sobre seu novo livro "Arvoressências"


Aline Oliveira entrevista Cristiane Grando
Aline Oliveira entrevista Cristiane Grando sobre seu novo livro “Arvoressências”. Fique em Evidência. Ed. 55, Ano 4. Cerquilho, fevereiro de 2014, p.28.

Cristiane Grando
Professora na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em Foz do Iguaçu

1.       Quando você percebeu que seria escritora?
Em 1992, quando cursava o primeiro ano da faculdade: Letras na USP (Universidade de São Paulo). Tinha aulas de Literatura com o professor Joaquim Aguiar e decidi, naquele momento, ser poeta. Na escola, adorava fazer redações, em especial narrativas. Quanto mais escrevia, mais tinha desejo e facilidade para escrever. Foram doze anos de muito treino de escritura antes de publicar o meu primeiro livro, "Caminantes", em 2004.
2.      Em dezembro de 2014, junto com o poeta Mauricio Vieira, você lançou o livro "Arvoressências" em São Paulo e no Rio de Janeiro. Como está a repercussão da obra?
Celebro dez anos do primeiro livro publicado com uma alegria enorme ao ver o "Arvoressências" impresso com o selo de uma editora brasileira, a Editora de Cultura, de São Paulo. Fiz várias autoedições no Brasil e na República Dominicana, e hoje tenho editoras que me publicam nesses dois países, na Espanha e na Argentina, onde sairá o próximo livro de poemas, o "Numeralia" (palavra em latim que é título deste livro que será publicado em português, espanhol, francês e guarani pela Editorial Clan Destino). A procura pelo "Arvoressências" - que está sendo traduzido ao francês, espanhol e inglês - tem sido grande e muitas pessoas têm comprado o livro pelo site da editora.*  
3.      E como surgiu a ideia para escrever o livro?
A ideia foi do Mauricio Vieira. Do livro e do site, que vale muito a pena visitar. O site contempla poemas de várias épocas, de estilos literários diversos, de autores brasileiros e estrangeiros.**
4.      O que você espera despertar nos leitores através do livro "Arvoressências"?
Amar as árvores e em especial a Natureza. Cuidar do planeta, que é nossa casa, para que tenha vida longa e saudável, assim como todos nós deveríamos ter. Nossa preocupação com a saúde do corpo, da mente e do planeta deveria ser constante: como nos alimentamos e o que comemos; como evitamos criar lixo e como usamos a criatividade para reciclá-lo (separar o lixo; enterrar o lixo orgânico, no caso de que haja quintal em casa; reformar roupas e objetos, doá-los a quem necessite; doar brinquedos; criar artesanato e obras de arte com o que poderia ir para o lixo etc.). Enfim: ser consciente do que consome e dar preferência a consumir produtos nacionais e, em muitos casos, produtos locais, o que favorece o desenvolvimento da sua comunidade.
5.      Enquanto escritora e professora, você deve ler muito. Quais são seus livros e autores preferidos?
"Estrela da vida inteira" de Manuel Bandeira. "Amavisse", "Alcoólicas", "Cantares do sem nome e de partidas" e "Da morte. Odes mínimas" de Hilda Hilst. Poemas de Carlos Drummond de Andrade e de Manoel de Barros, além dos poemas em prosa de Charles Baudelaire (poesia francesa). 


miércoles, 7 de enero de 2015

Barbatuques: música corporal


Barbatuques: música corporal


Cristiane Grando


Escritora, tradutora, gestora cultural, doutora em Letras (USP) e professora na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)


"Utilizar o corpo como instrumento musical é a proposta essencial do Barbatuques."


O Barbatuques é um grupo paulista de percussão corporal que desenvolve um trabalho musical baseado na exploração dos inúmeros sons que podem ser produzidos pelo corpo humano. Resgatando a espontaneidade infantil de brincar com som e movimento, o resultado de suas pesquisas sonoras é uma orquestra corporal na qual todos os músicos tocam e improvisam sobre o mesmo instrumento: o corpo.

Formado por 15 integrantes, o grupo foi fundado em 1995 a partir de pesquisas de Fernando Barba, assim como pelo seu contato com o músico Stênio Mendes. Sua forma inovadora de fazer música e as inúmeras possibilidades de extrair sons do corpo tornaram o grupo reconhecido internacionalmente. Atuando tanto no mundo artístico quanto no educacional, o Barbatuques também participou de espetáculos e gravações em mais de 20 países, como França, Indonésia, Inglaterra, Turquia, Alemanha, China, Espanha e Suíça, por exemplo. Sua trajetória contribuiu para que a música corporal se tornasse mais difundida mundialmente como uma estética contemporânea e uma importante ferramenta educacional, informa a página oficial do grupo, que também afirma que o Barbatuques trabalha com diferentes técnicas de percussão corporal e vocal, sapateado e improvisação musical, somando as experiências coletivas e individuais, de acordo com a bagagem de cada integrante, numa abordagem única da música corporal através de suas composições, técnicas, explorações de timbres e procedimentos criativos.

A técnica desenvolvida pelo Barbatuques vem sendo cada vez mais utilizada em escolas brasileiras, públicas e privadas, ganhando força pela facilidade de aplicação, simplicidade e baixo custo, pelo estímulo à criatividade, coordenação psicomotora e percepção de si mesmo e do outro. O Barbatuques - contemplado com o Prêmio TIM de Música Brasileira como melhor grupo de MPB (2006) – já lançou dois DVDs e três CDs, sendo o trabalho mais recente dedicado ao público infantil (“Tum Pá”, 2012). Destacamos sua participação na trilha sonora dos filmes "Rio 2", “O Menino e o Mundo” (Alê Abreu, Naná Vasconcelos e Emicida) e do documentário “Educação.doc” (2014) de Lais Bodansky e Luis Bolognesi, sobre projetos inovadores na gestão do ensino fundamental público.

O grupo Barbatuques esteve recentemente em Foz do Iguaçu, onde resido, e apresentou no
Parque Tecnológico Itaipu (PTI) o espetáculo "Indivíduo Corpo Coletivo: Música Corporal”. O evento aconteceu no Cineteatro dos Barrageiros. Vale a pena conferir fotos e vídeos, assim como a história do grupo nas páginas <www.barbatuques.com.br/br> e <www.barbatuques.com.br/pt>.

jueves, 4 de diciembre de 2014

Educação nutricional

Educação nutricional
Cristiane Grando
Escritora, tradutora, doutora em Letras (USP) e docente na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)

Para o dia-a-dia, procure servir receitas simples com ingredientes frescos, frutas, legumes, verduras e grãos, que são importantes fontes de nutrientes. Não exagere no consumo de carnes e varie sempre a carne a ser servida. Ofereça peixes e frutos do mar pelo menos uma vez por semana.” segundo o livro Dona Benta: comer bem”

Dona Benta: comer bem”, livro tradicional da culinária brasileira ensina: Entre comer e saber comer existe uma grande diferença. É erro supor que a escolha, a confecção e o arranjo dos pratos possam ser feitos arbitrariamente, sem levar em conta as condições e as necessidades orgânicas. Além da estética, a refeição deve ser balanceada, oferecendo proteínas, carboidratos e vitaminas; os cardápios devem unir sabor, aroma, apresentação e qualidade nutricional.

A palavra “nutricional” se refere à “nutrição” e “nutritivo” segundo o “Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa”. “Nutrição” é “fonte de sustento; alimento”, o “conjunto de processos através dos quais um organismo absorve e assimila os alimentos”. “Nutritivo” é o “que nutre, que tem a propriedade de nutrir, de alimentar”. Exemplo: “o poder nutritivo do feijão”. Pela correria, alguns brasileiros têm deixado de lado o hábito saudável de comer feijão com arroz todos os dias, acompanhados de carne, peixe e/ou ovo, saladas e/ou legumes. “A boa alimentação requer o uso das verduras. Associados à carne e ao pão [ou arroz com feijão], os vegetais facilitam a digestão por seus sucos, além de atuarem como excitante pelos sais que contêm” - segundo o Dr. Proust, citado em Comer bem”. Sobre o consumo da cebolinha e das verduras, Sonia Hirsch afirma no livro “Meditando na cozinha”, publicado no Rio de Janeiro pela Editora Corre Cotia: “o verde leva para dentro vitaminas, minerais e a preciosa clorofila, que nutre e limpa.” Uma dica é compor o prato com alimentos coloridos, pois, em geral, resulta ser saudável, atraente, vistoso.

Aprendamos com Gouffé, citado em “Dona Benta”: sem boas matérias-primas, nem os maiores cozinheiros do mundo farão bons pratos. Aconselho evitar comidas industrializadas e congeladas, açúcares e doces; é melhor usar mel ou açúcar mascavo para adoçar. Ao acordar, o corpo absorve mais os alimentos por ter ficado muitas horas em jejum. Por isso, na primeira refeição do dia, devemos evitar açúcares e consumir especialmente os nutrientes de que mais o corpo precisa, em especial se apresenta alguma deficiência nutricional. Sigamos estes sábios conselhos do livro “Dona Benta”: “Evite a utilização de corantes e essências aromáticas. As frutas são mais saudáveis e têm gosto e aroma mais pronunciados.”; “Nem tanto ao mar nem tanto à terra, diz o refrão. Nem verde e nem maduro demais. O fruto deve ser comido assim que chega ao estado de maturação.”


Deixo o convite aos que se dedicam a cozinhar: que escolham ingredientes frescos e nutritivos; que busquem informações sobre nutrição em leituras instrutivas. Segundo Sonia Hirsch, meditação é um jejum mental, no qual se procura o não pensar. Por isso, cozinhar também pode ser meditação. Para cozinhar é preciso três ingredientes: paciência, entrega e atenção, o que dá margem a micromeditações – enquanto você faz, não pensa, não julga; apenas observa.


Vídeos e textos curtos sobre alimentação saudável: “Deixa sair: a saúde é subversiva porque não dá lucro a ninguém” de Sonia Hirsch <www.soniahirsch.com>; “Do campo à mesa: você é o que você sabe sobre o que come” de Francine Lima: <www.canaldocampoamesa.com.br>.



GRANDO, Cristiane. “Educação nutricional”. Fique em Evidência. Ed. 53, Ano 4. Cerquilho, dezembro de 2014, p.32

Panambi: o voo da borboleta


Panambi: o voo da borboleta
Cristiane Grando

Escritora, tradutora, gestora cultural, doutora em Letras (USP) e professora na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)


Aos 7 anos de idade descobri que a nossa fala é o nosso canto. O mais natural de todos, pois cada fala é uma melodia. – Hermeto Pascoal


Para Hermeto Pascoal, a fala é canto. As crianças sabem isso intuitivamente e, ao ouvir, ao falar e ao cantar em várias línguas, são capazes de se entregar com tamanha naturalidade que podem transformar as palavras da poesia e da música numa festa de sons. A beleza do som na poesia falada, no canto e nas improvisações da performance revitaliza as identidades sociais; os laços comunitários se estreitam através de dramatizações e da presença do livro e da literatura na vida cotidiana das crianças.

Panambi” em guarani, uma das línguas oficiais do Paraguai, significa “borboleta”, ou “mariposa” em espanhol, que também é língua oficial do país vizinho. Em Foz do Iguaçu, onde resido, “Panambi” é o nome de um projeto que existe há quase três anos, coordenado pela professora sênior Alai Garcia Diniz, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana. Este projeto já percorreu vários espaços da cidade. Além de atividades artísticas – recitais com poetas e leitores de várias nacionalidades, encontros culturais com comunidades indígenas - o Panambi existe há mais de um ano na Biblioteca Comunitária Cidade Nova Informa – CNI, onde crianças memorizam textos, fazem performances, falam poesia e cantam músicas em português, guarani, espanhol, em encontros semanais coordenados pela professora Alai, com aulas ministradas pelos bolsistas de extensão da PROEX-UNILA Izabela Fernandes de Sousa e Adriano Mendes Brito dos Santos, estudantes de Letras e de Música.

O repertório de poemas e canções das crianças do Panambi é impressionante: elas deslizam-se pelos ares da Biblioteca falando poesia e cantando em várias línguas. O surpreendente é que o resultado costuma ser carinhas de felicidade e brilho nos olhos; e nenhuma preocupação por não dominar línguas estrangeiras ou a linguagem literária, pois as crianças se permitem “sentir” o poema, uma experiência que vai muito além da compreensão dos seus significados. A literatura tem essa capacidade: a de fazer sentir alegria, tristeza, compaixão, ternura não só com o significado de um texto, mas também com a sua sonoridade. O projeto Panambi explora os cinco sentidos e a alegria dos encontros coletivos. Quando as crianças se juntam e se soltam, e correm, e cantam, e pulam, e declamam, a Biblioteca é uma festa! O ambiente se transforma num espaço vivo.

Sonhamos em registrar num documentário as performances das crianças do Panambi, para que suas vozes não se percam, para que o centro e os demais bairros da cidade se comuniquem, para que palavras poéticas voem para outras cidades e países. No presente e no futuro, visualizamos inúmeros voos ao Panambi na voz e no corpo de muitas crianças.


Agradecimentos à professora Laura Ferreira, por sua leitura e comentários.





GRANDO, Cristiane. Panambi: o voo da borboleta”. Fique em Evidência. Ed. 52, Ano 4. Cerquilho, novembro de 2014, p.32

lunes, 27 de octubre de 2014

O riso

O riso
Cristiane Grando
Escritora, tradutora, doutora em Letras (USP) e docente na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)

Meu erro [...] devia ser o caminho de uma verdade: pois só quando erro é que saio do que conheço e do que entendo. Se a ‘verdade’ fosse aquilo que posso entender – terminaria sendo uma verdade pequena, do meu tamanho.”
Clarice Lispector

A primeira coisa a fazer pela manhã é sorrir! E continuar assim.” Desta maneira inicia Jane Seabrook o seu livro “Você é diferente” (São Paulo, Editora Fundamento Educacional, 2008). Entre sorrir e rir, basta um passo.

Quando rimos, além de relaxar os músculos, nos presenteamos com a possibilidade de vivenciar uma “catarse”. O Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa apresenta algumas definições que podem nos ajudar a entendê-la: “purificação do espírito do espectador [de teatro, por exemplo] através da purgação de suas paixões, especialmente dos sentimentos de terror ou de piedade vivenciados na contemplação do espetáculo trágico”; “liberação de emoções ou tensões reprimidas”; “efeito liberador produzido pela encenação de certas ações, especialmente as que fazem apelo ao medo e à raiva”.

Na Grécia antiga, os concursos dramáticos anuais começaram contemplando apenas as peças “sérias”, as tragédias; só em 487 a.C. ocorreu o primeiro concurso de peças cômicas, que eram consideradas um gênero menor. Podemos entrar em catarse através do riso, que nos ajuda a melhorar o nosso estado de ânimo, amenizando os sofrimentos. Um bom trabalho nesta linha, no universo hospitalar, é o dos “Hospitalhaços”, ONG com mais de 400 palhaços voluntários no Brasil, que atua em Cerquilho desde 2013. Segundo a terapeuta corporal Deise Castro da Silva, por onde esses palhaços passam, deixam “um rastro de felicidade”.

Tentando ser engraçados, algumas vezes e sem querer (é lógico), cometemos gafes. Vale lembrar o que afirma Claudia Matarazzo: “uma gafe não é o fim do mundo, e é claro que dá para sobreviver. Com humor e muita presença de espírito é até possível contornar uma gafe quase fatal.” (“Gafe não é pecado”. São Paulo, Melhoramentos, 1996). Lembre-se: “Ninguém está prestando atenção; até o momento em que você comete um erro.” - afirma Jane Seabrook. Por isso, em casos de tensão, ria de si mesmo! Ria por dentro. Ria sempre que possível. Rindo nos concentramos no presente: no aqui e agora. A própria palavra "presente" diz tudo: é um "presente".

Um bom começo para sair da tristeza é posicionar os lábios em forma de sorriso – até nos casos em que o nosso interior não encontra motivos para sorrir, quando estamos chateados, amargurados ou tristes. O cérebro identifica estados de alegria quando nossos músculos faciais estão em forma de (sor)riso. Sorrindo, ficamos mais relaxados; e a vida, mais leve. Como cantam Tom Jobim e Vinicius de Moraes “A Felicidade”: “Tristeza não tem fim/ Felicidade sim// A felicidade é como a pluma/ Que o vento vai levando pelo ar/ Voa tão leve/ Mas tem a vida breve/ Precisa que haja vento sem parar”. O riso, a poesia e a música podem dar à vida um toque de leveza... e de felicidade. Por que não?


GRANDO, Cristiane. “O riso”. Fique em Evidência. Ed. 51, Ano 4. Cerquilho, outubro de 2014, p.32

jueves, 11 de septiembre de 2014

Trabalhar em grupo

Trabalhar em grupo
Cristiane Grando
Escritora, tradutora, doutora em Letras (USP) e docente na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
"Viver é trabalhar em equipe, o tempo todo. Portanto, quanto mais rápido tivermos consciência disto, melhor!" - Clorinda Sagala Denck em seu livro “Corrente de balões”
A vida em sociedade e os trabalhos em grupo se sustentam em certos pilares se queremos alcançar bons resultados e criar ambientes pacíficos. Um deles é o “diálogo”: a interação entre duas ou mais pessoas. Para que haja realmente diálogo, é essencial “aprender a ouvir”: saber se colocar no lugar do outro a fim de entender seus pontos de vista, seu posicionamento, sua forma de ver e de sentir o mundo - primeiro passo para que aconteça uma boa comunicação. Na atualidade, abandonamos a prática de ouvir e de dedicar atenção ao outro, assim como a calma, o silêncio, os momentos únicos de estar alguns minutos sozinhos para pensar, ler um poema, ouvir música. A correria do dia a dia e o desrespeito consigo e com o outro têm se refletido em atos violentos na sociedade, na escola, na família. Um pouco além do “aprender a ouvir” é quando estamos abertos a críticas. Às vezes, aprendemos muito sobre nós mesmos se ouvimos com a mente aberta comentários alheios: o que podemos melhorar no trabalho ou no relacionamento com familiares e amigos, por exemplo. Ao criticar alguém, o ideal é escolher com cuidado as palavras, a forma de encaminhar as questões e, de preferência, que seja um tema discutido a sós ou com um mínimo de pessoas. Nem todo mundo está preparado para receber críticas.
Ao participar da oficina de cantoLas sonoridades de la voz” em 2011 no Centro Cultural de España em São Domingos, aprendi sobre a importância de pensar em todos os membros do grupo sempre. O professor mexicano Juan Pablo Villa mostrou na prática, montando um coral, como o grupo era prejudicado se uma pessoa destacasse sua voz quando o objetivo era criar um som harmônico entre todos os participantes. Só era incentivado a se sobressair quem fosse convidado para ser solista. Estarmos atentos aos objetivos de um trabalho sem perder de vista o todo nos ajuda a identificar quais são as posturas que nos levam a um melhor desempenho e a construir relações humanas com qualidade.
Respeitar horários de reuniões e de trabalho é essencial. Confirmar presença ou informar a impossibilidade de participação em reuniões. Em casos de imprevisto, nunca deixar de avisar que haverá atraso ou falta, salvo se há impossibilidade de comunicação. Respeitar as normas e, se não estiver de acordo com elas, propor ao grupo discuti-las e reformulá-las. Saber identificar quando o silêncio é bem-vindo, a fim de não desrespeitar o espaço do outro. Respeitar a hierarquia, mesmo quando você não gosta de seu chefe, pois, no trabalho, devemos ser objetivos, usar a razão, afastando muitas vezes o nosso lado emotivo, especialmente se esta postura ajuda a criar um clima de paz no grupo. Se você não está contente com seu chefe, mude de trabalho – me ensinou o saudoso amigo Jorge Bercht. Um bom profissional não é necessariamente um chefe exemplar. Por isso, não crie ilusões pensando que você ou seus colegas, sendo bons profissionais, poderiam ser melhores chefes que o seu; afinal, só a prática poderia provar se isso é verdade ou não.
Patrícia R.T. Horta, em sua tese de doutorado (Faculdade de Educação/USP), quando fala sobre a “pluralidade das verdades ao se buscar entender a realidade”, afirma: “Neste contexto, caberia o difícil exercício de estar com os outros compartilhando fragilidades e inseguranças no lugar de sólidas verdades.” A diversidade de pontos de vista nos leva a entender melhor o mundo, a repensá-lo em sua complexidade, valorizando a tolerância e a paz em todos os âmbitos: em casa, na rua e no trabalho, em nível local, regional, nacional e mundial.
A artista plástica Polly D’Avila, no blog “Tabacaria”* (6/08/2014), nos alerta: “a rotina fatigou os corações humanos. Captar a essência de outrem pode ser um sinal de generosidade. É uma lâmina imaginária que retira aspectos da alma. Um ir em direção ao outro.” Diz um antigo provérbio africano: “Se quer ir rápido, vá sozinho; se quer ir longe, vá acompanhado.”
Agradecimentos à professora Laura Ferreira, por sua leitura e comentários.
* http://sidneif.wordpress.com/



GRANDO, Cristiane. “Trabalhar em grupo”. Fique em Evidência. Ed. 50, Ano 4. Cerquilho, setembro de 2014, p.32.